domingo, 5 de junho de 2011

A história de uma bruxa.

Era uma vez uma linda bruxinha urbana (e do bem) chamada Min. Ela não morava no meio da mata, não lidava com morcegos e não tinha uma vassoura como transporte. Ela era especialista em poções para o encantamento, conhecedora do amor e possuidora de um sentimento transbordante, mas não sabia exatamente o que fazer com ele pela pouca idade que possuia. Resolveu, depois de muito pensar, utilizar todo esse sentimento investindo em poções mágicas para conselhos de amor, para que as outras pessoas assim que obtivessem a poção, soubessem exatamente o que fazer com o outro, o bendito ser amado.
O que ela não esperava é que no meio dessa vida urbana, louca e na rotina de doar poções de conselhos, se deparasse com uma nova experiência de se apaixonar novamente por um encantador esperto, malicioso e cheio de histórias mágicas - surgiu do nada e subitamente para confudi-la.
Ela tentou utilizar sua sabedoria, suas poções, inclusive a dos conselhos que ela mesma era especialista em fazer - até funcionaram no começo, mas estavam com prazo de validade muito próximo. A bruxinha quis fugir, mas não tinha mais controle do que sentia: era a saudade que sufocava, a surpresa que ela queria, a mudança necessária a qual ela esperava. Os dois viveram momentos apaixonantes juntos, deliciosos de se ter e serem cantados - eram sempre encontros de magia: imaginem, uma bruxa e um encantador historiador! Ela deu seus melhores abraços, seus melhores beijos, seus melhores sorrisos.
Passou-se um tempo, e a bruxinha ficou com medo. Percebeu que o encantador, embora apaixonante e também com muitas explicações, só queria mais uma aventura, e ele também tinha prazo, prazo de estadia - não ia ficar por muito tempo - tinha várias histórias e viagens pra concluir. Ele, o encantador, embora não tivesse a intenção de mentir, ofereceu sentimento demais ao qual não podia cumprir, nem obedecer, e estabeleceu condições pesadas demais pra que a paixão toda pudesse resistir.
A bruxinha desanimou - era um misto de frustração e decepção que a invadia todas as noites que decidiu não mais insistir. Embora tivesse outros pretendentes, não encontrava magia em nenhum - o que, pra uma bruxa, é demasiado importante para se deixar aproximar. Ela até tentou, antes de conhecer o encantador, a dar um pouco da magia que tinha para alguns, mas nunca era suficiente pra os dois, e obviamente, depois também decidiu a não exercer mais essa prática, decidiu verdadeiramente pela troca mágica, recíproca e equanime de sentimentos com alguém que pudesse surgir na cidade urbana e agitada ao qual ela vivia. Alguém que pudesse dar segurança e calma ao seu coração, assim como enche-lo de amor e a trilharem caminhos juntos.
O encantador sumiu aos poucos e não estabeleceu mais compromissos de encontros para que os dois se aproximassem. Deixou de aparecer e de alimentar todo aquele sentimento bom que nasceu. Os dois estavam com dias contados, quem sabe com algum resquício de amizade quando ele voltasse de uma das suas viagens. Ela voltou aos poucos a rotina a qual estabelecera. Não era a primeira, nem a maior decepção ao qual estava ligada, mas era uma perda, o que trouxe a ela alguma dificuldade inicial emocional.
Min como nunca deixou de produzir as poções de conselhos, sempre pesquisava outros ingredientes, descobrindo assim novas fórmulas e poções. Se voltou para a produção de como mudar o mundo com todo aquele sentimento transbordante e bom que tinha: as poções as quais produzia sempre funcionaram para os outros - e isso era suficiente pra ela associado ao momento que ela estava vivendo.
Min continuou estudando, continuou crescendo, investindo, sendo feliz e utilizando todos os seus dons em benefício individual e coletivo. Até que conheceu Quen.
Ele também era um bruxo, mágico e com um olhar que fascinou Min no primeiro momento em que se viram. Tiveram algumas divergências e competividades de feitiços no início, mas sempre chegavam num consenso mágico. Quen e Min viveram sua história de amor, tiveram jantares românticos aos montes, dançaram embebedados por poções com o mar de testemunha inúmeras vezes, fizeram canções, andavam de mãos dadas, tinham o tempo ao seu favor, tinham suas profissões, seus salários, viviam a vida com a singularidade que ela possui, e respeitaram-se muito. Os dois casaram com a maturidade que a vida lhes deu (e com as decepções que os encantadores proporcionaram), e tiveram dois filhos, Tel e Dav, aos quais deram continuidade às mágicas e aos projetos de continuar mudando o mundo com todo sentimento bom e motivador difundido possível. A família fez e tentou de tudo para serem felizes sempre.
ps.: embora nem sempre conseguissem por estarem incluídos no século 21.

Moral da história:
- Não pense que está sobre controle de tudo, a vida lhe prega surpresas;
- Invista sim, o melhor de você sempre: seu melhor de hoje com certeza será superado com seu melhor de amanhã, e você estará com um somatório de seus melhores momentos com o passar do tempo;
- Dê às experiências não exitosas a importância que elas merecem ter: tire o melhor de todas as situações;
- Ofereça sempre o que pode oferecer: não ofereça grandiosidades e intensidades demasiadas sem poder executá-las, siga seus limites e tenha consciência do papel que você exerce;
- Não desanime e confie no tempo, em si mesmo, e não se agarre a qualquer possibilidade por ansiedade;
- Invista em você mesmo, sempre - não pare;
... E embora você tenha na sua trajetória decepções e atribua em determinado momento da sua vida a responsabilidade de ser feliz a outra pessoa, a paciência e o amor próprio são aliados fundamentais para contribuição de um final feliz e coerente - baseados nas expectativas de vida as quais você traça, e no que é prioridade para alcance dos seus objetivos. 

3 comentários:

  1. Curti muito seu blog, principalmente esse texto. Já estou te seguindo... =)

    ResponderExcluir
  2. " E embora você tenha na sua trajetória decepções e atribua em determinado momento da sua vida a responsabilidade de ser feliz a outra pessoa, a paciência e o amor próprio são aliados fundamentais para contribuição de um final feliz..." algo que to precisando ultimamente é de paciência e amor próprio ...principalmente amor próprio... "cheguei a acreditar que tudo era pra sempre sem saber que o pra sempre, sempre acaba" :( :( adorei o texto, ótimos conselhos :) bjo.

    ResponderExcluir
  3. Obrigada Fernando! Será sempre bem-vindo.
    E você, Laryssa, bom lhe ver por aqui sempre, obrigada também. Amor próprio é o que conduz qualquer tipo de relacionamento, temos que nos fortalecer pra fazer bem a qualquer pessoa. De dentro pra fora, é a ordem. Você é linda, inteligentíssima. E aprender a curtir os momentos sem exigir eternidade também pode te fazer bem. Um beijo linda.

    ResponderExcluir

Obrigada pelo seu comentário. Será sempre bem-vindo (a)!